"Palavra puxa palavra, uma idéia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies."
Machado de Assis
em “Histórias sem Data: Primas de Sapucaia”
Nós todos temos uma idéia geral das razões pelas quais se aumentam as tarifas do transporte público: inflação, custos de manutenção, aumento das frotas, melhorias na qualidade dos serviços, etc.. Porém, como são avaliadas essas razões? Quais os critérios e quem as realiza? Ao invés de ficar procurando em sites e mais explicações já batidas dentro do que já conhecemos, meu irmão, Wallace Beiroz, tomou a iniciativa de entrar em contato com a prefeitura do Rio de Janeiro e questionar acerca do recente aumento na tarifa dos ônibus municipais. Segue abaixo o que meu irmão repassou ao meu e-mail e solicitou que eu publicasse no blog, enquanto isso aguardamos o retorno da prefeitura.
Em 11/03/2010 às 12:10 escrevi para prefeitura do Rio de Janeiro a seguinte mensagem:
"Prezados,
Como cidadão que cumpro com meus deveres e cobro meus direitos, venho por meio desta solicitar esclarecimentos acerca de taxas pagas por serviços prestados aos moradores da cidade do Rio de Janeiro.
Gostaria de receber informações suficientes para sanar minhas dúvidas em relação ao preço das passagens de ônibus e os serviços prestados.
Em primeiro lugar gostaria que me explicassem de forma clara, sendo eu leigo na área de economia e finanças, o porquê do aumento da passagem para R$ 2,35.
Outra questão é como é cobrado o retorno à população, uma vez que se tornou visível o decaimento da qualidade dos serviços prestados pelos transportes de uso coletivo, como trem, metrô e ônibus. Estes serviços não estão de acordo com as tarifas cobradas.
Aguardo esclarecimentos,
Wallace Beiroz"
A confirmação de recebimento veio da seguinte forma:
"Prezado (a) Wallace Beiroz Imbrosio da Silva
Seu número de registro é 1193573 e o assunto da sua solicitação é Ônibus.
Guarde estas informações para consultar o andamento da sua solicitação.
A mensagem foi enviada à Ouvidoria competente para as devidas providências.
Obrigado pela sua participação!
Atenciosamente,
Ouvidoria da Prefeitura do Rio de Janeiro"
Um ai de terra
Um ai de mar
Um ai de guerra
Um ai de ar
Um ai de amor
Um ai de ver
Um ai de dor
Um ai de ter
Um ai de luta
Um ai de sangue
Um ai de puta
Um ai de mangue
Um ai de dia
Um ai de tarde
Um ai gemia
Um ai que arde
Um ai de longe
Um ai de nós
Um ai de monte
Um ai atroz
Um ai escuro
Um ai no banco
Um ai no muro
Um ai já manco
Um ai que sorte
Um ai sofrida
Um ai de morte
Um ai que vida!
Hélio Beiroz
No ônibus, por esses dias, uma senhora, folheando um jornal, conversava com a filha, ou sobrinha, sobre fatos da televisão. Discutiam sobre novelas e programas de auditório que falam sobre assuntos, presumidamente, do cotidiano de nossas famílias. Isso já é o suficiente para me deixar um tanto perplexo... Não havia nada mais interessante naquele jornal? Já não bastava o tempo que perdiam com isso na frente da TV?
Tudo bem, é uma forma de lazer... Cada um escolhe o seu. Eu mesmo curto assistir uns filmes de ação meio sem conteúdo, ou ouvir uma música que apenas é divertida, só pela diversão mesmo. Dar uma relaxada no cérebro também é um bom propósito. Quem não troca umas conversas idiotas com os amigos sempre que pode, só para descontrair e estreitar laços?
Esses pensamentos me apaziguaram um pouco. Mas, eis que do fundo de sua análise crítica de nossa indústria do entretenimento, a sobrinha, ou filha, larga-me a seguinte frase: “Eu gosto do BBB por que é um programa que mostra a realidade da gente!”. Ah, maluco!!! Espera aí! De onde essa garota saiu?! Eu não vivo em uma casa com piscina de formato personalizado, com gramado amplo, academia de ginástica, ofurô. Não vivo sob a iminência da possibilidade de ganhar um carro zero nos jogos que disputo com meus amigos. Não tenho condição de dar festas regadas de graça toda semana. Não sou chamado para pousar nu sob um cachê de alguns milhares de reais. E, por último, mas não menos importante, não tenho a possibilidade de ganhar R$1.000.000,00 após um mês vivendo assim!
Quem era essa garota? Meu Deus, será que eu estava diante de uma ex-bbb e não sabia?! Talvez eu deva assistir mais desses programas para saber com quem estou convivendo no meu dia-a-dia. Para aprender como é um show de realidade! Mas, suspeito que se fosse para procurar um mais dentro do meu contexto, vou mais para o No Limite do que para o Big Brother!
Hélio Beiroz
Talvez o único “organismo” que se compare à natureza em seu grau de complexidade seja a sociedade humana. A necessidade de compreender a natureza e utilizá-la a nosso favor está presente no ideário humano desde sua origem. Hoje, há os que abordam a relação entre a sociedade e a natureza, independente de seus discursos, como um duelo de gladiadores. “Pão e circo” diriam aqueles que estudam a Roma Antiga.
Uns defendem o gladiador da sociedade, malvado e bem treinado, lutando para adequar o sistema produtivo e econômico contemporâneo ao quadro ambiental que se apresenta, pois, sem tal reposicionamento, seu lutador estaria derrotado, já que, em médio prazo, não haveria mais recursos para mantê-lo. O circo, que dá muito mais lucros, tem que ser mantido e o custo para tal é a manutenção da oferta do mesmo bom e velho pão ao povo, enquanto os ricos se esbaldam nos lucros da festa.
Outros defendem o gladiador da natureza, inocente trazido à luta pelos cruéis senhores que treinaram o outro gladiador. Ele luta por sua liberdade, por poder voltar às suas origens, em desvantagem contra o inimigo melhor equipado e conhecedor de suas fraquezas. Mas ele é dotado da arma de seu sacrifício. A platéia se excita ainda mais e chega a freqüentemente torcer por ele quando é jogado aos ouvidos de todos que, com sua grande bravura, mesmo que caia antes do adversário, levá-lo-á junto para o vale da morte. E aqueles que lucram com o show, ganham mais ainda, explorando o amor da platéia a ele.
Eu prezo pela destruição desse coliseu, seu circo montado para tapear a multidão, e o retorno à democracia em Roma! A realidade não é um cabo de guerra entre dois extremos, trata-se de encontrar soluções aplicáveis à realidade hoje que não venham a nos destruir amanhã.
Hélio Beiroz
Estava aqui, após ter criado o blog, perguntando-me qual seria minha primeira postagem. Não pode ser algo muito cotidiano, afinal de contas é a estréia. Poderia me apresentar, ou falar do que pretendo fazer com esse espaço, mas seria piegas demais e chato demais para o leitor. E, para falar a verdade, não tenho o intuito de traçar com rígidas linhas o que pretendo fazer com esse espaço. A idéia de liberdade por não ter uma meta auto-imposta é bem mais interessante.
Então, inadvertidamente, li essa pequena crônica do grande Veríssimo e adorei. Assim sendo, ela será o meu primeiro “post”:
“Acho a maior graça. Tomate previne isso,cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...
Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.
Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.
Prazer faz muito bem.
Dormir me deixa 0 km.
Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.
Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.
Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.
Brigar me provoca arritmia cardíaca.
Ver pessoas tendo acessos de estupidez me
embrulha o estômago.
Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.
E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!
Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo, faz muito bem! Você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.
Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde!
E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda!
Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna.
Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca!
Conversa é melhor do que piada.
Exercício é melhor do que cirurgia.
Humor é melhor do que rancor.
Amigos são melhores do que gente influente.
Economia é melhor do que dívida.
Pergunta é melhor do que dúvida.
Sonhar é melhor do que nada!”
Luis Fernando Veríssimo