Tiririca, Wagner Montes, Romário, Waguinho, Netinho... Isso sem falar de Garotinho, Collor e outros. Sinceramente, vejo isso como reflexo da queda imensa de qualidade da educação brasileira, com reflexos diretos sobre a politização da população. Mas, além disso, pergunto-me se não é a expressão da covardia da classe intelectual, em especial a científica. Quem, no meio acadêmico não conhece alguém que tenha votado em dar continuidade ao quadro atual apenas por mero medo de perder as migalhas que foram dadas nos últimos anos?
Nossa sociedade vem sendo doutrinada, controlada e calada desde a queda da ditadura e do fora Collor, quando era do interesse daqueles que mantinham (ou pretendiam alcançar) o poder que a sociedade se manifestasse. Poucas vitórias são idolatradas como símbolos do heroísmo do povo e dos governantes, enquanto as numerosas derrotas são colocadas debaixo dos panos. Mas, enfim, o que me indignou mais nessas eleições foi o número de candidatos completamente incapazes de ocupar os cargos para que foram eleitos, alguns semi-analfabetos, outros ex-envolvidos em escândalos de corrupção.
No primeiro caso, os semi-analfabetos, não consigo pensar em outra razão senão a identificação da massa com eles. Pode parecer um comentário preconceituoso, mas, explicando-me de maneira ilustrativa: ninguém confiaria em um jogador de futebol, ou em um músico agressor de mulheres, para realizar uma neurocirurgia, simplesmente por que eles não têm qualificação para isso. Agora, se qualquer pessoa, independente das origens humildes, for qualificada para tal função não há por que não confiar. Não é uma questão de ser elitista, ou preconceituoso, mas de estar calcado no fato óbvio que para exercer uma função de tamanha responsabilidade deve-se estar minimamente qualificado para tal! Não é necessário ter um PhD para exercer um cargo político, mas seria necessário ao menos conhecer os mecanismos, as funções e obrigações políticas do cargo a que se concorre. Como um semi-analfabeto pode estar qualificado? Como um criminoso (agressor de mulheres) pode ser confiável? Como um jogador de futebol que mal soube administrar suas finanças lidará com os recursos gerados por nossos impostos? Por que confiar novamente em políticos que já foram indiciados por corrupção?
Observei com tristeza, também, a "farofada" partidária que foi essa eleição. Nunca fui muito a favor da partidarização, considerando-a um mal necessário, mas, este ano as coisas perderam as estribeiras. Foi um tal de PCdoB apoiando PMDB, candidato (expressivo)do PV apoiando candidato do PSDB. Partidos jogando suas ideologias no lixo em prol do que? Da governabilidade, responderiam alguns. Mas a governabilidade também se dá em função do quadro político eleito, logo, é uma questão a ser pensada (no mínimo) em médio prazo e não na "má e velha" ideologia de resultados superficiais e imediatos (leia-se pão e circo) da política brasileira.
Sou obrigado a discordar da Vossa futura Excelência, Tiririca, Deputado Federal eleito por SP (que almeja o título informal de capital pensante do país... Não que o RJ esteja muito melhor), que disse que pior do que está não fica. Pelo jeito que as coisas vão indo, fica sim e ainda ficará MUITO pior!
--------------------------------------------------------------------
Hélio Beiroz
Nenhum comentário:
Postar um comentário